sexta-feira, 4 de setembro de 2020 - Brasília

 Tem sido dias difíceis. Em meus 22 anos nunca enfrentei algo tão horrível quanto o que estou lutando contra agora, mas nem sei se estou lutando de verdade. Tudo é pesado: comer é pesado, dormir é pesado, conversar é pesado; tudo me fadiga, e me inutiliza. Sinto-me um peso, todos ao meu redor me carregam tipo uma carga obrigatória, e eu sou uma pessoa difícil de se viver ao lado, difícil de amar, e esse é o motivo pelo qual ninguém permanece na minha vida. Nos meus pensamentos, as pessoas vivem pra sempre, e eu revivo cada lembrança como se fosse uma coisa preciosa que eu preciso guardar. E eu preciso, porque todos foram embora, e só sobrou isso, restamos eu e minha memórias quebradas. Dou muito trabalho e muito desgaste, eles se cansam de mim, e jamais vou tirar-lhes a razão, se até eu gostaria de me fugir às vezes, minha companhia deve ser um porre, difícil de engolir. 

Sou um ser humano horrível, o pior que já pisou neste mundo, ou nesse universo. Sempre que estou mal, as pessoa me dizem que sou amada, que tenho valor, mas isso não é verdade; eu não possuo valor algum. Meu coração não é bom, e é muito fácil dizer que estou errada sem me conhecer, me observando do lado de fora. Eu estou aqui dentro, presa, isso sou eu, e garanto que meu coração é um lugar hostil para viver. Já tive um pouco de bondade em mim, mas foi arrancada à força, num dia muito distante, e desde então estou assim, meio morta e destroçada. Não converso mais com a realidade. 

Sou mesquinha, narcisista, maldosa e ridícula, uma verdadeira cretina, não digo isso da boca para fora - por que desejaria que me vissem assim se, de fato, não fosse? - sou a única que sabe o mal que causei às outras pessoas, principalmente os de perto. Não os amei o suficiente. 

Dói ser assim, e dói muito. Jamais me orgulharia de ser isto, o diabo da vida dos outros, travando guerras infindas por interesses patéticos, pelas emoções que queimam. Mas a maior guerra que travo é contra mim mesma, tentei matar a ruindade da minha natureza, por onde meu corpo adoece e acaba aos poucos, odeio ser assim, e odeio muito mais não poder mudar isso, e já tentei inúmeras vezes, sou patética. Leia isso mais uma vez: sou patética.  E, mesmo que eu fosse capaz de tornar-me alguém diferente, alguém melhor, isso não mudaria nada, porque não há no mundo quem seja capaz de revogar o passado.O mal que eu causei já está feito, e não há como consertar o que passou, ninguém pode fazer isso.

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